Thursday, June 12, 2008

Aborto- Brasil & Portugal

Só em Fevereiro de 2006, o SIM vence no referendo português sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.

A questão da legalização do aborto nas primeiras dez semanas da gravidez já tinha sido tema de um anterior referendo em Portugal.

Tal como em 1998, a abstenção foi grande refletindo a dificuldade de posicionamento da maioria dos portugueses que perante a complexidade do assunto.

O total dos votos não reuniu os 50% de participação necessária para tornar o referendo vinculativo. Embora 59,25% dos eleitores tenham votado sim, a sociedade portuguesa, profundamente católica, continua dividida.

José Sócrates, Primeiro Ministro e Presidente do Partido Socialista, assim como outros representantes da vida política portuguesa declararam publicamente que “os resultados do referendo deverão ser respeitados pela Assembléia da República”.

A posição do governo vai de encontro às diretrizes do Parlamento Europeu que em 2002 adotou o relatório “Lancker” aconselhando “o aborto legal, seguro e acessível, apelando aos países para que não perseguissem mulheres que tivessem feito um aborto ilegal”.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os países da América Latina ainda enfrentam legislações punitivas que colocam na ilegalidade a interrupção voluntária da gravidez.

A legislação brasileira é a das mais restritivas da América Latina, tal como a portuguesa era a das mais restritivas da Comunidade Européia. Só permite a interrupção voluntária da gravidez legal em caso de estupro ou risco de saúde para a mulher. Mesmo nesses casos a lei é raramente cumprida.

Soraya Fleischer, Antropóloga e Kauara Rodrigues - Cientista política, ambas assessoras técnicas do Centro Feminista de Estudos e Assessoria são as autoras de um excelente texto publicado no correio brasiliense em 28/5/2008, intitulado “Aborto: tapar o sol com a peneira?” que traça um esboço pertinente sobre o atual panorama no Brasil.

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