Thursday, June 12, 2008

A minha vagina esta zangada! - II

E depois, os exames... quem pensou nesses exames?

Sei que deve haver um modo melhor de fazer esses exames.

Por quê o assustador vestido de papel, que arranha os seios e range enquanto se deita, e que nos faz sentir como um papel que alguém acabou de deitar no lixo?

Por quê das estranhas luvas de borracha?

Por quê a lanterna apontado lá para o fundo como um detetive trabalhando contra a gravidade.

Por quê os estribos nazis de metal? E o especulo frio que enfiam para dentro de você? O que é isso?

A minha vagina fica furiosa com estas visitas. Fica na defensiva com semanas de antecedência. Recusa se a sair de casa.

Aí, chegando - lá (não adoras quando te dizem isso?): “relaxe a sua vagina, não fuja, vá, relaxe a sua vagina”. Por quê? A minha vagina não é estúpida, ela sabe que vai enfiar nela um especulo frio. Não me parece!

A sala já esta demasiado fria ou quente, esta lá sentada, com as pernas abertas... é horrível.

Não suporto esse especulo, ou lá como lhe chamam. E depois perguntam ”dói quando aperto aqui?”. Claro, você esta apertando a minha vagina. Não é uma sensação agradável.

Porque não me envolvem em um delicioso veludo, púrpura; deitam sobre uma suave coberta de algodão; põem umas luvas simpáticas, azuis ou rosa, e descansam meus pés em suportes felpudos.

Aqueçam o especulo! Trabalhem com a minha vagina!

Mas não, mais tortura. Algodão prensado seco, especulos frios e fio dental.

Essa merda é o pior. Move se o tempo todo. Enfia-se na sua bunda.

É suposto as vaginas serem soltas e amplas. Não contidas.

Nós precisamos nos mover, alastrar, falar. Precisamos falar.

As vaginas precisam falar...

Porque não fazem algo confortável? As vaginas precisam de conforto. Porque não fazem algo que lhes dê prazer? Claro que não querem isso.

Eles odeiam quando mulheres sentem prazer. Sobretudo prazer sexual.

Quer dizer, façam um par de calcinhas de algodão com um vibrador embutido. É isso mesmo, isso mesmo. As mulheres andariam por ai gozando o dia todo. Gozando no supermercado, gozando no metrô, vaginas felizes gozando. Eles não poderiam suportar, todas estas vaginas felizes, energizadas, sem aceitar merdas, andando pelas ruas.

Excerto dos Monólogos da Vagina de Eve Ensler, em inglês no original; tradução e adaptação livre para português por EB

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