Vamos começar pela palavra vagina.
Na melhor das hipóteses, parece uma infecção. Ou talvez um instrumento médico. (Depressa enfermeira, passe me uma vagina...)
VAGINA, VAGINA, VAGINA. Não interessa quantas vezes pronunciamos a palavra, nunca soa como uma palavra que queremos dizer.
É uma palavra completamente ridícula. E nada sexy. Se a usas durante o sexo, tentando ser politicamente correta; querid@, podes, por favor, tocar na minha vagina... matas o ato logo ali!
Eu estou preocupada com vaginas. Estou preocupada com o que as chamamos ou deixamos de chamar. No Brasil também a chamam de passarinha. Uma mulher contou-me que a mãe lhe dizia: não vistas roupa interior por baixo do pijama, precisas de arejar a tua passarinha.
Em Portugal chamam-na cona e no Brasil boceta, bucetinha, bucetasso, bucetão e bucéfula. Em português chamam-na de: prencheca, vagina, xana, perseguida, xereca, perereca, pombinha, putz, xoxotinha, abençoada, acolhedora, chana chavasca, checheca, chimbica, xoroca, cocota, fornicada, fruto proibido, furustreca, gulosinha, jóia, katchanga, lábios de fêmea, melequinha. Chamam-na miséria, racha, receptora, repartida, sapeca, toca encantada, travesseirinho, trevo, triângulo, troço, valiosa, xabasca xampola, xaninha, xebreca, xexeca, xotinha e xumbrega.
Estou preocupada com vaginas...
Excerto dos Monólogos da Vagina de Eve Ensler, em inglês no original; tradução e adaptação livre para português por EB
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