A minha vagina esta zangada!
Está sim!
Está furiosa!
E precisa de falar!
Precisa de falar sobre esta merda toda.
Precisa de falar com você!
Quero dizer, que negócio é esse?
Um exército de pessoas, por aí, pensando em maneiras de torturar a minha pobre, gentil, amorosa vagina.
Passando os seus dias construindo produtos loucos e idéias nefastas para depreciar minha buceta.
Vagina “motherfuckers”.
Todas estas merdas que tentam constantemente enfiar para dentro de nós.
Enfiar, encher, limpar, fazer com que desapareça.
Bem, a minha vagina não vai desaparecer. Esta furiosa e vai ficar exatamente aqui.
Vamos começar com tampax. Que raio é isso? Um pedaço de algodão comprimido e seco enfiado lá para dentro.
Porque não encontram um modo de lubrificar o tampax. Quando a minha vagina vê um, entra em choque. Fecha-se. Diz: “esquece isso”.
Você tem que trabalhar com a vagina, apresentá-la às coisas, preparar o caminho. Isso são os preliminares.
Você tem de convencer minha vagina, seduzir minha vagina, conquistar a sua confiança.
E não pode fazer isso com uma merda de um pedaço de algodão comprimido e seco. (...)
Parem de enfiar coisas na minha vagina e parem de tentar limpá-la.
A minha vagina não precisa ser limpa.
Não tente decorar.
Não acredite nele quando lhe diz que é suposto cheirar como pétalas de rosas quando é suposto cheirar como buceta.
É isso que tentam fazer, você sabe, tentam limpá-la, fazer com que cheire como um spray perfumado para banheiros ou como um jardim.
Todos aqueles cheiros: floral, frutos vermelhos, chuva. Eu não quero que a minha buceta cheire que nem chuva. Toda limpa.
Como um lavar um peixe depois de cozinhado. Eu quero sentir o sabor do peixe. Por isso o pedi.
Excerto dos Monólogos da Vagina de Eve Ensler, em inglês no original; tradução e adaptação livre para português por EB
No comments:
Post a Comment